Bruta flor

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Por horas a fio
olho com você
o corpo de um poema
Espio até sumir no oco
o sangue que escorre
da gengiva onde
se perdeu o grito
disperso no teto azul.
Feito de salto e lírica
no filete entre dentes
é o que nos resta
de cidade e desejo
na densidade concreta
que nos perde de vista

Rio, 16.5.2020 (64º dia de confinamento)
Para Ana C.

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